Cacau sai do coração da Amazônia e conquista o mercado japonês
Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

No município de Tomé-Açu, no Pará, uma história centenária de trabalho e resiliência está dando frutos – literalmente. Fundada há mais de 90 anos por imigrantes japoneses, a comunidade agrícola da região aliou tradição à inovação para criar um modelo produtivo que respeita a floresta e gera desenvolvimento econômico. O resultado? O cacau cultivado em meio ao cupuaçu, ao açaí e a outras espécies amazônicas conquistou selo de Indicação Geográfica (IG) e agora é exportado para o Japão, país de origem dos antepassados da maioria dos moradores locais.
Com pouco mais de 64 mil habitantes, Tomé-Açu é hoje referência em agroecologia e produção sustentável, graças ao modelo de agrofloresta adotado por pequenos produtores da região. O reconhecimento internacional do cacau de Tomé-Açu chega em um ano simbólico: em 2025, Brasil e Japão celebram 130 anos de relações diplomáticas – e a parceria vai além da diplomacia, estendendo-se aos laços econômicos e culturais.
“Seja em São Paulo ou no Norte do país, os japoneses deixam suas marcas na resiliência e na força de trabalho”, destaca Décio Lima, presidente do Sebrae. “Tomé-Açu, hoje a terceira maior comunidade japonesa do Brasil, mostra como a cultura empreendedora pode gerar renda, preservar o meio ambiente e abrir novas oportunidades”, enfatiza.
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Brasil na Expo Osaka 2025
O sucesso do cacau amazônico será apenas um dos destaques brasileiros na Expo Osaka 2025, no Japão. Com expectativa de receber mais de 28 milhões de visitantes, o evento terá a participação do Sebrae, que marcará presença na inauguração do Pavilhão Brasil, coordenado pela ApexBrasil, hoje (13) e amanhã (14). O objetivo é claro: mostrar ao mundo a força dos pequenos negócios brasileiros – que representam 95% das empresas do país – e seu papel fundamental na construção de um futuro mais sustentável.
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“Os pequenos negócios são protagonistas em nossa economia e essenciais para a preservação dos nossos seis biomas: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa”, explica Décio Lima. Ele destaca iniciativas como o edital Inova Cerrado e Pantanal, que apoiou 330 projetos de bioeconomia, e anuncia a chegada do edital de tração, que vai acelerar 300 novos empreendimentos ainda este ano.
Uma vitrine interativa do Brasil
O Pavilhão Brasil ocupará uma área de mil metros quadrados, com curadoria da cenógrafa Bia Lessa. O espaço será uma imersão nos valores culturais, ambientais e sociais do Brasil. A proposta é proporcionar uma experiência sensorial única para os visitantes, que poderão interagir com os conteúdos apresentados. A expectativa é de mais de 10 mil visitantes por dia, com destaque para a diversidade e o potencial de negócios sustentáveis do país.
Parceria estratégica com o Japão
A presença do Brasil na Expo Osaka 2025 também reforça a importância da parceria estratégica entre os dois países. O Japão é hoje o 9º maior destino das exportações brasileiras e o 12º maior investidor no país, segundo dados da ApexBrasil. A relação bilateral, reconhecida desde 2014 como uma “Parceria Estratégica e Global”, ganha ainda mais relevância com o protagonismo dos pequenos produtores, como os de Tomé-Açu, que mostram ao mundo como a tradição, a inovação e a sustentabilidade podem caminhar lado a lado.
Texto: André Luiz Gomes/Sebrae
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